Um dos capítulos (mais especificamente, o capítulo 3) do livro “Filosofia da Ciência”[1] de Rubem Alves desenvolve uma ideia central que, inclusive, encontra-se contida em seu próprio título: a ciência está em busca de ordem. O autor vai além e argumenta que não existe vida ou comportamento inteligente sem ordem, sendo esta uma exigência para nossa sobrevivência e, portanto, nada mais natural que a ciência busque desvendar qual é essa ordem.

Essa busca é parte do desejo do ser humano em conhecer como o mundo funciona (ordem), o qual por sua vez se enquadra em um caldo dos mais diversos desejos a que todos nós estamos sujeitos (desejo por conhecimento, por arte, por sentimentos, etc).

Todavia, questiona Rubem Alves, qual a diferença entre a ordem científica e a ordem do senso comum? Uma seria mais lógica ou mais absurda do que a outra?





O secretário de Estado de Cultura, deputado estadual licenciado João Malheiros (PR), está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE), após repassar recursos públicos, da ordem de R$ 193 mil, à Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério Madureira.

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Além da irregularidade da fonte do recurso para financiar o evento evangélico, para o promotor Célio Fúrio, não há, a princípio, nenhum interesse público que justifique o patrocínio público do evento evangélico.

“[…] da leitura do aludido Convênio não se vislumbra interesse público plausível para motivar o repasse de expressivo recurso público para realização de festa religiosa”, argumentou Fúrio, ao determinar a abertura do inquérito civil para apuração de possível ato de improbidade administrativa.



Uma discussão sobre, afinal, o que é ateísmo movimentou alguns canais expressivos da blogosfera ateísta brasileira há alguns meses.

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O que me chamou a atenção ali? O choque de alguns com o fato previsível de que entre ateus, céticos, humanistas e outr@s haveria rusgas, posições epistemologicamente embasadas, posições ideologicamente embasadas, posições politicamente embasadas… O dissenso é comezinho, e isso, a alguns, parece um pouco demais quando se utiliza o demarcador da “racionalidade” para separar certas pessoas de outras. Um autoengano confortante.

Foi assim que, por exemplo, a discussão sobre o que é ateísmo moveu identidades de lugar. Para alguns, é uma não crença. Para outros, uma crença justificada. Para outros ainda, talvez seja algo mais ou menos complexo em termos da demanda conceitual, filosófica e axiológica. Afinal, passando de não crença para crença justificada, os ateus-pela-não-crença deixam de ser ateus? Ou sempre foram ateus-crentes-por-justificação, só não sabiam? (risos). Aqui eu me recordo, por vício temático, de discussões similares em torno da homossexualidade.

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Volto para o ateísmo: a pretensão de que uma definição daria conta das (auto) identificações é que jogou água no debate. Porque se supôs que a “razão”, sem risco algum, era fiadora da questão: ateus entenderiam-se como ateus a partir de um processo tal que implicaria pelo menos tais e tais procedimentos reflexivos.

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O medo do dissenso, mais uma vez, fez com que se visse problemas onde havia fertilidade – a despeito das rusgas, que sempre nos incomodam, mas que são muito esperadas em quaisquer ambientes.



Cristãos fundamentalistas não se abrem ao debate, eles elegem certas passagens da Bíblia e as leem literalmente, enquanto deixam intocadas outras ou relativizam muitas, o que desvela a desonestidade intelectual deles em relação às Escrituras Cristãs, o Antigo e o Novo Testamentos. São fechadíssimos ao debate e tomam como “verdade literal” o que selecionam na Bíblia deles.

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Os Cristãos Progressistas são o avesso dos cristãos fundamentalistas: são engajados socialmente; preocupam-se com o atual rumo da política e do exercício da política no Brasil; são defensores do Estado Laico, ou seja, a total separação entre Igreja e Estado; apoiam as agendas dos Direitos Humanos, inclusive a agenda LGBT e não tomam a Bíblia como paradigma para a criação de leis; relativizam valores de acordo com o atual contexto histórico, principalmente o de família (tão cara aos fundamentalistas) e o de Igreja, sendo esta vista como “consciência do Estado”, ou seja, como aquela que vigia o Estado e o denuncia quando não cumpre seu papel de promover o bem estar social e o avanço da cidadania dos seus cidadãos.



Há dois sábados tivemos aqui o texto “O ciúme está em nós“, sobre violência doméstica pautada pelo ciúme mundo afora e a triste tolerância que se tem a esses casos em diversos lugares. Para alimentar o assunto, gostaria de compartilhar essa entrevista com a procuradora de justiça Luiza Eluf, sobre como o ciúme violento se apresenta na cultura brasileria.



O Bule quer saber: quem é você?

O Conselho de Mídia da Liga Humanista Secular do Brasil quer conhecer melhor os leitores do Bule Voador. Responda um breve questionário e nos ajude a articular melhor nosso conteúdo.



Sob o pretexto de enviado de Cristo, intitulando-se membro da Igreja do Senhor Jesus (o que não podemos afirmar), o evangélico Rafael de Araújo Teixeira 19 anos, de porte de uma grande marreta destruiu o rosto e parte lateral da imagem de Nossa Senhora Aparecida que foi colocada no início da Av. JK, entrada do Jardim Brasília em Águas Lindas de Goiás. O evangélico só não concluiu seu intento de destruir por completo a imagem da Santa padroeira da cidade de Águas Lindas e do Brasil, porque foi prontamente contido por quase cem pessoas, que revoltadas queriam linchar o agressor, mas foram contidas pelos policiais militares da viatura 2252 CB Vieira e SD Geanilton, que chegando ao local deteram Rafael e pediram imediatamente reforço de mais três viaturas, controlando a situação. Rafael foi conduzido à delegacia tendo sua marreta apreendida, podendo responder pelo crime de destruição do patrimônio público, já que a imagem foi colocada pela Prefeitura Municipal.




Lawrence M. Krauss, um conhecido cosmólogo e prolífico escritor de divulgação científica, aparentemente deseja anunciar ao mundo, em seu novo livro, que as leis da mecânica quântica têm em si o material para uma explicação profundamente científica e duramente secular para o porquê de haver algo em vez de nada. Ponto final. Caso encerrado. Fim da história. Não estou brincando. Olhe o subtítulo. Veja como Richard Dawkins soma tudo no posfácio: “Mesmo a última carta na manga do teólogo, ‘Por que há algo ao invés de nada?’, seca diante de seus olhos enquanto lê estas páginas. Se o ‘Origem das Espécies’ foi o golpe mais mortal da biologia ao sobrenaturalismo, podemos vir a ver ‘A Universe From Nothing’ [‘Um Universo a partir do Nada’, tradução livre] como o equivalente na cosmologia. O título significa exatamente o que diz. E o que diz é devastador.”

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De onde, para começar, teriam vindo as próprias leis da mecânica quântica? Krauss mais ou menos se antecipa, como se vê, sobre não ter a menor ideia disso. Ele reconhece (embora entre parênteses, e a poucas páginas do fim do livro) que tudo sobre o que ele tem falado simplesmente toma os princípios básicos da mecânica quântica como garantidos.

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Mas as leis não têm relevância alguma sobre questões que dizem respeito à origem do material elementar, ou a por que o mundo deveria ser constituído do material elementar que é, em oposição a alguma outra coisa, ou a nada.



Moralidade é fazer o que é certo independentemente do que lhe é dito. Obediência é fazer o que é dito, independentemente do que é certo.

Moralidade é fazer o que é certo independentemente do que lhe é dito. Obediência é fazer o que é dito, independentemente do que é certo.



É possível admitir que uma menina de 12 anos que falta à escola para dar prazeres sexuais a adultos na pracinha em troca de alguns trocados é capaz de consentir com tais atividade sexuais, mesmo que ela não esteja amarrada ou levando socos, ou seja, mesmo que não esteja sob coerção física? Segundo a decisão do Superior Tribunal de Justiça, sim, três meninas de 12 anos podem consentir. E elas podem consentir porque, de alguma forma, estão exercendo suas liberdades sexuais. Segundo o Tribunal, elas exercem tal liberdade sexual ao venderem seus corpos, ao se prostituirem. Segundo o resultado, se há o pagamento pela venda dos corpos das menores, então não há estupro. À luz dos sistemas de normas e das interpretações e soluções dadas pelos tribunais do país, essa decisão pode estar correta no sentido de estar sendo condizente e obediente. Mas moralidade é fazer o que é certo independentemente do que é dito. Obediência é fazer o que é dito, independentemente do que é certo. Obediência é fazer o que é dito pelas normas jurídicas e culturais — já que o argumento da cultura foi citado pela turma que decidiu o caso — em vez de fazer o que é eticamente certo ou desejável segundo parâmetros racionais que são objetivos e coerentes sem depender de apelos à tradição. Não vou questionar o domínio e submissão regulada dos juízes aos sistemas de normas.


A mediocridade não é um carma — aliás, não acredito em carmas —, mas ela pode se tornar a marca de um povo e de sua cultura. Nesse sentido, podemos pensar que é um alívio que o Brasil possa se orgulhar dos grandes feitos de seus cidadãos, não é mesmo? Afinal, este é um país que se envaidece, com razão, por haver tido um dos maiores romancistas da literatura universal (que, como disse Alfredo Bosi, só não foi canonizado internacionalmente como tal porque escreveu em português e no Brasil) — aliás, não apenas Machado de Assis, mas nomes como Aluísio de Azevedo, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, dentre inúmeros outros, fazem da nossa uma literatura riquíssima e original. Este é também o país de César Lattes, o paranaense codescobridor do méson pi, que, apenas por uma injustiça (ah, as injustiças!, quantos brasileiros já foram vítimas delas!), não ganhou o Nobel de Física em 1950, ao lado de Cecil Powell. E é ainda a terra de Carlos Chagas, Warwick Estevam Kerr, Milton Santos, Mário Schenberg, Antônio Cândido, Carmen Portinho, Celso Furtado, Maurício Rocha e Silva, Marta Vannucci, Clóvis Beviláqua, dentre tantos outros nomes notáveis nos mais variados campos do saber.

Porém, de quantos desses nomes um típico brasileiro realmente já ouviu falar? Quantos de nós estamos familiarizados com sua obra e seus feitos? Ei, você, leitor! Já leu aquele romance? Já ficou sabendo daquela pesquisa, daquela descoberta, daquele artigo?



Homeopatia: é feita de nada.

Homeopatia: é feita de nada.



Uma coisa que os defensores da homeopatia insistem em ignorar é que essa prática, pelo menos no que se refere ao uso de substâncias ultra-mega-hiper-diluídas, não é capaz de passar em testes científicos rigorosos. No blog do Desafio 10:23 foram publicados diversos textos embasando a ineficácia da homeopatia.

Todavia, infelizmente, não são apenas os praticantes da homeopatia que se negam a aceitar as evidências. Conselhos de classe são igualmente surdos para isso (em especial os de medicina, medicina veterinária, farmácia e odontologia). Gestores do Sistema Único de Saúde também se negam a aceitar as evidências científicas, haja vista a publicação, em 2006, de uma portaria do Ministério da Saúde que regulamenta essa prática (dentre outras) no SUS. E agora acabo de ver uma publicação no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais que parte da mesma ignorância científica (Deliberação CIB-SUS/MG nº 1.113/2012).

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) irá financiar um curso à distância denominado “Introdução à Homeopatia”, destinado a médicos, cirurgiões-dentistas, farmacêuticos e médicos veterinários do SUS-MG, com o objetivo principal de apresentar “as concepções da homeopatia e suas aplicações nas diversas áreas, contribuindo para a implementação da Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares no estado de Minas Gerais”. Segundo o projeto do curso, a previsão do custo é R$ 212.792,06 mais o curso de capacitação de tutores de R$ 20.818,75, totalizando R$ 233.610,81.